REBELIÃO NAS ESCOLAS
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Ontem, uma escola depredada em São Paulo. Professores trancados numa sala, para se protegerem. De uma briga de garotas, a centelha. Logo, a explosão, selvagem. Duas gigantescas gangues arrebanharam os alunos, dividindo a escola em violentas facções. Cadeiras quebradas, móveis atirados no pátio. Rebelião, é a palavra. Vizinhança da escola teme e avisa que os incidentes são comuns. Os alunos prometeram que vão “botar abaixo” - literalmente! -o prédio da escola (recém reformado).
Na reportagem do Bom Dia Brasil, hoje de manhã, uma professora de outra cidade paulista informava as torturas que sofreu, amarrada por alunos na cadeira e espetada com pontas de caneta e lápis. Outro professor relatou a briga com alunos, quando interveio para impedir que esvaziassem os pneus dos carros dos professores. Estudantes criminosos abusaram sexualmente de uma menina em Joaçaba (SC) e colocaram o vídeo no youtube.
Anteontem uma escola de Teresópolis padeceu com o incidente de uma cabeça de nego explodindo no banheiro.
Pelo Brasil inteiro, professores desistem ou se recolhem a licenças, com síndrome do pânico.
Quando propus o Escola da Paz, aqui em Teresópolis, algumas coisas deram certo, outras não. Muitas por minha causa, eu bem sei, mas a maioria, não. Surgiram algumas fofocas, acusações de escusos proveitos que eu pretenderia faturar. (Gente, não faço questão de fazer certas coisas, não mesmo. O problema é que alguém tem que fazer. Que alguém faça, por favor!!!) Acabamos não podendo, por várias razões, realizar o evento que terminaria o ano, tentando regar ainda mais as sementes lançadas. De qualquer forma, que todos percebamos os recados que estão no ar. São graves, agudos, gritantes, estonteantes. Dão pânico aos desavisados, que não percebem o abismo se construindo à nossa volta. Dão preocupação aos que, antes, perceberam a fumaça das quedas que se avizinhavam.
É tempo de operar resgates. De perceber que a escola, até por sua similitude aos esquemas repressivos da “microfísica do poder” de Foucault, até por sua inutilidade prática, diante de um mundo sem empregos, precisa ser repensada urgentemente. Afinal, escola obrigatória e que não forma melhores e mais éticos seres humanos, e em geral não forma porque é conteudista, e não tem mesmo como fazer melhor, porque não recebe os insumos para tanto... Afinal, cujo sentido se esgota somente na barganha do Bolsa Família, já que não produz inserção profissional num mercado de trabalho inexistente... Afinal, uma escola assim perde o sentido. E os alunos percebem! Mas não é só. Este discurso reduz o problema ao âmbito escolar, o mais inocente nessa história. É preciso repensar o país, a sociedade e o mundo.
É urgente impedir a proliferação de discursos irresponsáveis, como o da liberação das drogas; como o do sexo que “pode sim”, desde que com camisinha; o da ilusão de que as crianças e jovens de hoje “têm muita informação”, têm “cabeça boa”; o de que os pais têm que ser amigos dos filhos; o de que casamentos são feitos de papel de arroz, podem ser rasgados assim que vem o primeiro desconforto ou cansaço da paixão, sem qualquer senso de solidariedade real com o coletivo de pessoas que é a sociedade familiar, filhos principalmente; o de que a “nova família”, de uma criança com dois pais separados que não se falam e dois ou mais padrastos e madrastas que não se entendem e concorrem todos entre si em leilões de afeto, é bacana; o de que o prazer imediato e urgente está acima da solidariedade calma e paciente; o de que a vida não vale tanto assim, de que Deus não existe, podemos promover eutanásias, abortos e brincar com embriões. Enfim... é hora de parar pra pensar e perceber as conexões entre o que fazemos ou deixamos de fazer agora e o que acontece amanhã. Perceber também o quanto do nosso atual pensamento é lixo cuidadosamente construído, que recebemos dos erros de ontem, de discursos interesseiros de ontem, das mídias mal intencionadas de ontem. É hora de cair na real. E agir. Ainda há tempo.
Que semeemos escolas de paz, a partir de famílias de paz, ambientes de trabalho de paz, sociedades e países de paz, mas acima de tudo... a partir de mim, de você... de pessoas que se querem construir como gente de paz.



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Escrito por Denilson Cardoso de Araújo às 13h21